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Solstício de 2026: Entre a noite mais longa do ano, o El Niño e o recorde de frio no Brasil

Publicada por Thalyta Araújo em 28/05/2026
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Estamos nas últimas semanas do outono. No dia 21 de junho de 2026, exatamente às 5h24 pelo horário de Brasília, ocorrerá o solstício de inverno no Hemisfério Sul, evento astronômico que marca o início oficial da estação fria. Por conta disso, a madrugada do dia 20 para o dia 21 de junho será a mais longa do ano, registrando o menor número de horas com o sol acima da linha do horizonte.

Essas noites prolongadas, características dos meses de junho e julho, desempenham um papel fundamental no clima do centro-sul do Brasil. Elas ajudam a prolongar o resfriamento da atmosfera, permitindo que as fortes massas de ar de origem polar, comuns nesta época, atuem com ainda mais intensidade.

a imagem mostra o entardecer em época de inverno
Solstício de 2026: Entre a noite mais longa do ano, o El Niño e o recorde de frio no Brasil

 

Embora o início do inverno traga os dias mais curtos do ano, essa variação na luminosidade só é perceptível para quem está nos estados do Sul, do Sudeste e em parte do Centro-Oeste. Na maior parte das regiões Norte e Nordeste, a quantidade de horas de sol e de escuridão quase não se altera ao longo do ano.

A variação da luz solar pelo Brasil: Inverno vs. verão

A diferença na duração do dia entre o solstício de inverno (em junho) e o solstício de verão (em dezembro) depende diretamente da latitude. Quanto mais nos afastamos da Linha do Equador em direção ao sul, maior se torna essa disparidade:

  • Extremo Sul: Porto Alegre é a capital onde a mudança é mais drástica. No primeiro dia do verão, a cidade ganha quase 4 horas a mais de sol em comparação ao primeiro dia de inverno.

  • Sudeste: Em São Paulo e no Rio de Janeiro, essa diferença fica em torno de 3 horas a mais de luz no verão. Já em Belo Horizonte e Vitória, assim como em Campo Grande, no Centro-Oeste, o início do verão tem cerca de 2h30 a mais de sol.

  • Centro-Oeste e Nordeste Central: Em Brasília, Goiânia e Cuiabá, o dia de verão tem aproximadamente 2 horas a mais de sol do que o de inverno. Descendo para o litoral nordestino, Salvador registra 1h30 a mais de luz no verão.

  • Nordeste e Norte Central: Em Aracaju, Maceió, Recife e também em Palmas, a diferença cai para cerca de 1 hora. Mais ao norte, em João Pessoa e Natal, a variação é de menos de 1 hora.

  • Proximidades do Equador: Em Fortaleza e Rio Branco, a diferença fica em torno de meia hora, enquanto em Manaus o verão ganha menos de 30 minutos de sol. A proximidade com o Equador fica ainda mais evidente em Belém, onde a variação é de exatos 10 minutos.

  • Na Linha do Equador: Em Macapá, que está localizada exatamente sobre a Linha do Equador, o número de horas de sol é rigorosamente idêntico tanto no solstício de inverno quanto no de verão.

A Exceção Geográfica: Uma curiosidade do nosso território ocorre em Boa Vista. Como a capital de Roraima fica no Hemisfério Norte, a lógica das estações lá é invertida. O inverno começa em dezembro e, nessa data, a cidade registra 20 minutos a menos de sol do que no solstício de verão, que para eles ocorre em junho.

O ciclo dos dias e a luz solar nas capitais

Durante o verão, o Sol nasce mais cedo e se põe mais tarde, fazendo com que os dias fiquem mais longos. No início dessa estação, o entardecer avança até o começo da noite. Já no inverno, o cenário se inverte: o Sol demora mais para aparecer e se põe mais cedo, resultando em dias mais curtos e noites longas.

Essa variação de luz solar ao longo do ano depende muito da localização geográfica de cada cidade. Quanto mais ao sul do país, maior é a diferença entre as estações. Em Porto Alegre, por exemplo, o dia de inverno dura apenas 10h12min, enquanto o de verão chega a 14h05min. Nas capitais do Sudeste, como São Paulo (10h40min no inverno / 13h35min no verão) e Rio de Janeiro (10h43min / 13h33min), o padrão se mantém bem perceptível. No Centro-Oeste, Cuiabá registra 11h12min no inverno e 13h03min no verão.

À medida que subimos em direção à Linha do Equador, a diferença quase desaparece. No Nordeste, Salvador tem 11h21min de sol no inverno e 12h53min no verão, enquanto Fortaleza varia pouco, indo de 11h54min a 12h20min. No Norte, a proximidade com o Equador fica nítida: Belém tem 12h02min no inverno e 12h12min no verão. Macapá, que está exatamente sobre a linha imaginária, registra rigorosamente o mesmo tempo nas duas épocas: 12h07min.

Uma curiosidade ocorre em Boa Vista: por estar localizada no Hemisfério Norte, a lógica das estações lá é invertida. Por isso, a capital de Roraima tem seu dia mais longo em junho (12h17min) e o mais curto em dezembro (11h57min).

O inverno de 2026 e o impacto do El Niño

O inverno de 2026 tem grandes chances de ser influenciado pelo fenômeno El Niño, conhecido por ajudar a aquecer o ar no Brasil. No entanto, isso não significa que o centro-sul do país passará a estação sem frio. As massas de ar polar continuarão avançando e trazendo quedas bruscas de temperatura.

Como o El Niño de 2026 ainda estará em fase de desenvolvimento durante os meses de inverno, seus impactos iniciais no clima brasileiro serão tímidos. A maior influência do fenômeno começará a ser sentida de forma expressiva apenas no final da estação, ganhando força total durante a primavera e o verão seguintes.

O balanço do frio: Recordes de temperatura em 2026

O mês de maio de 2026 já registrou dias de frio intenso, com geadas amplas em diversos pontos do país. O dia 12 de maio foi o que teve o maior número de cidades com marcas negativas, totalizando 41 locais. Logo atrás veio o dia 21 de maio, com 25 locais abaixo de zero.

Até o final de maio de 2026, o topo do ranking das menores temperaturas registradas no Brasil ficou concentrado na região serrana de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul:

As marcas mais baixas do ano atingiram -5,6°C, registradas em São Joaquim (no dia 21 de maio) e em Bom Jardim da Serra (no dia 12 de maio). A cidade de Painel também teve destaque com a mínima de -5,4°C em meados do mês, enquanto Urupema alcançou a marca de -5,1°C. Completando a lista das áreas mais geladas do período, Urubici registrou mínima de -4,1°C e a cidade gaúcha de Vacaria atingiu -4,2°C nas madrugadas mais frias de maio.

Com informações da Climatempo. 


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