Notícias

Home

Notícias

De La Niña para El Niño: Como a transição climática vai afetar o outono em 2026

Publicada por Thalyta Araújo em 13/03/2026
Tags:

A segunda semana de março de 2026 foi marcada por um cenário atípico em grande parte do Brasil. Enquanto o sol forte e o calor intenso predominavam em estados como Roraima e Alagoas, onde os termômetros oscilaram entre 36°C e 37°C, o Sul e o Sudeste experimentaram uma queda de temperatura que trouxe uma antecipação da sensação outonal.

No dia 9 de março, Curitiba registrou sua tarde mais fria do ano até então, com máxima de apenas 21,1°C. No mesmo dia, a cidade de São Paulo teve máxima de 22,3°C, o menor valor para um dia de março desde 2024. O Rio de Janeiro também sentiu o refresco no dia 11, com uma máxima de 24,2°C, figurando como a terceira tarde mais fresca de 2026.

A imagem mostra a Serra Gaúcha e com um amanhecer
De La Niña para El Niño: Como a transição climática vai afetar o outono em 2026

O que causou essa mudança?

A explicação para esse "friozinho" no leste do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais foi a passagem de uma frente fria com força acima do normal para esta época do ano. Este sistema trouxe uma massa de ar frio robusto que, combinada com ventos úmidos marítimos, excesso de nuvens e chuva persistente, impediu a elevação das temperaturas.

O outono e o inverno Apesar da sensação térmica, isso não significa que o outono chegou mais cedo de forma definitiva; trata-se de um evento pontual. As massas de ar frio mais intensas e duradouras costumam chegar ao Brasil com maior frequência a partir de maio.

Vale ressaltar que um inverno rigoroso no Hemisfério Norte não garante, necessariamente, um frio severo no Hemisfério Sul. O clima global é complexo e o rigor do nosso inverno depende mais de fenômenos como a temperatura do Oceano Pacífico (El Niño ou La Niña) e a oscilação de sistemas de alta pressão na Antártida do que ocorre no topo do globo.

O outono de 2026: Calendário vs. realidade climática

Embora o outono comece oficialmente às 11h45 do dia 20 de março de 2026, a natureza não segue rigorosamente o calendário humano. A mudança de estação no papel não garante uma queda imediata nas temperaturas no Centro-Sul do Brasil. Por isso, é importante destacar que o recente "refresco" sentido em algumas áreas do Sul e do Sudeste não é um sinal de que o frio outonal se instalou definitivamente mais cedo este ano.

Na verdade, a tendência para a transição entre o fim do verão e o início da nova estação é de aquecimento. Com o afastamento da massa de ar polar e a redução das chuvas, as temperaturas devem subir no Sul, Sudeste e Centro-Oeste durante a última semana de março. Assim, o outono de 2026 tende a começar com uma atmosfera abafada e as típicas pancadas de chuva em grande parte do país, adiando a chegada do frio mais rigoroso e persistente.

Abril abafado e a expectativa para o frio em Maio

Para quem espera o casaco, a paciência será a regra em abril. Não há previsão de massas de ar frio intenso avançando pelo Brasil no próximo mês. Segundo Ana Clara Marques, analista de previsão climática da Climatempo, o padrão de “clima de verão” abafado e com pancadas de chuva deve predominar no início deste outono.

A queda mais expressiva nas temperaturas é esperada apenas para maio, um movimento natural da estação devido à menor incidência de luz solar sobre o país. Mesmo assim, grandes ondas de frio rigoroso ainda não devem dar as caras nesse período.

Quando o frio intenso chega?

A expectativa é que a primeira massa de ar polar de forte intensidade alcance o Brasil apenas na virada de maio para junho. Este sistema traz o potencial de:

  • Geada em pontos da Região Sul;

  • Temperaturas próximas aos 10°C na cidade de São Paulo.

Vale o lembrete: como se trata de uma projeção de longo prazo, os dados podem sofrer ajustes conforme a data se aproxima. Seguiremos monitorando as atualizações para manter você bem informado sobre cada mudança no tempo.

Inverno rigoroso no Norte significa frio intenso no Sul?

Enquanto o Hemisfério Sul se despede de um verão marcado por muita nebulosidade e chuvas frequentes o que acabou segurando as temperaturas em diversas regiões, o Hemisfério Norte encerra um inverno rigoroso, com nevascas históricas e frio extremo nos Estados Unidos e na Europa. No entanto, especialistas alertam: um inverno severo no Norte não é garantia de frio intenso no Sul.

Segundo Ana Clara Marques, analista da Climatempo, não existe uma conexão direta ou "efeito espelho" entre as estações dos dois hemisférios. O que realmente dita o ritmo do clima em ambos os lados são fenômenos globais como o El Niño e a La Niña.

O cenário para 2026: Transição e El Niño

Atualmente, estamos finalizando um período de La Niña fraca, entrando em uma fase de neutralidade climática que deve dar lugar ao El Niño em breve. Essa transição traz características específicas para o nosso inverno:

  • Ondas de frio pontuais: É comum que, após o fim da La Niña, massas de ar polar muito intensas consigam avançar pelo continente. Isso pode gerar episódios de frio agudo, mas de curta duração.

  • Inverno irregular: Apesar desses picos de frio, o inverno de 2026 não deve ser rigoroso como um todo.

  • O papel do Pacífico: O aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Peru (típico do El Niño) tende a dificultar a chegada de massas polares frequentes conforme a estação avança.

Em resumo, teremos "janelas" de frio muito forte, mas a previsão indica que o inverno de 2026 não será marcado por baixas temperaturas constantes, mas sim por episódios isolados de intensidade.

Com informações da Climatempo.


Você sabe o que é um meteoro?
Até o fim de 2100, incêndios florestais podem aumentar 50%
Você sabia que há três tipos de ciclones? Você acha que é incomum ciclones no Brasil?


AO VIVO:

Veja mais de 240 câmeras em todo o Brasil


Veja mais:

Últimas cidades ativadas
Últimos meteoros registrados


YouTube

No nosso canal do YouTube você pode conferir vídeos exclusivos de meteoros, tempestades, pancadas de chuvas, nuvens raras, dentre muitos outros fenômenos e eventos naturais e/ou extremos. Inscreva-se e recebe nosso conteúdo exclusivo. 

Clique aqui e acesse nosso canal 



Explore

NotíciasVídeosComunidade

Câmeras Ao Vivo

© 2026 Clima Ao Vivo.
Todos os direitos reservados. Startup apoiada pela FCJ Participações S.A